Franchising

Uma casquinha de sorvete por R$ 3 em pleno shopping de São Paulo. Parece simples, mas por trás desse preço existe uma das redes de alimentação com maior número de lojas no mundo inteiro.
A Mixue acaba de inaugurar sua primeira unidade no Brasil e já trouxe consigo um plano de expansão que pode redesenhar o mapa do franchising nacional nos próximos anos.
A história da Mixue começa bem longe dos grandes shoppings e das filas que já se formam em vários países.
Em 1997, em Zhengzhou, na China, um jovem universitário chamado Zhang Hongchao começou vendendo raspadinhas geladas na porta de uma escola. O produto era simples. O preço era baixo. E a ideia funcionou.
Aos poucos, o negócio cresceu e ganhou forma. Em 2008, a marca adotou formalmente o modelo de franquias, e foi aí que tudo mudou de vez.
Mixue (蜜雪冰城) pode ser traduzido como “cidade de neve de mel”. O nome carrega exatamente o que a marca quer transmitir: algo doce, fresco e acessível para todo mundo.
Não é só poesia. Essa proposta de valor está embutida em cada decisão de negócio da rede — do cardápio ao preço final ao consumidor.
A grande sacada da Mixue não foi criar o sorvete mais sofisticado do mercado. Foi fazer o oposto.
Ao manter os preços intencionalmente baixos, a rede conseguiu algo que poucos modelos de alimentação alcançam: volume absurdo de clientes.
Com mais gente comprando mais vezes, as unidades giram rápido. O franqueado vende muito. A marca cresce. E o ciclo se retroalimenta.
Esse modelo de alto volume com margem comprimida é clássico em mercados asiáticos e está sendo exportado agora para o restante do mundo — incluindo o Brasil.
O crescimento da Mixue ao longo das décadas é impressionante quando colocado em perspectiva.
De uma banca de rua nos anos 90, a rede chegou a mais de 47 mil unidades espalhadas pelo mundo — especialmente na Ásia, com forte presença no Sudeste Asiático, Coreia do Sul, Japão e Austrália.
Esse número não foi construído com grandes investimentos em lojas próprias. Foi construído com um modelo de franquias replicável, enxuto e acessível para pequenos e médios empreendedores locais.
Cada mercado novo que a Mixue entra segue a mesma lógica: preço baixo, produto simples, operação escalável.
O Brasil é o mais recente capítulo dessa história.
Quando alguém diz que uma rede de sorvete e chás tem mais lojas que o McDonald’s, a reação natural é de descrença.
Mas é exatamente isso que os números mostram.
A Mixue ultrapassou o McDonald’s em número total de pontos de venda globais — e a explicação para isso está no modelo, não no produto.
O McDonald’s opera com cozinhas complexas, equipamentos pesados, cardápios extensos e equipes numerosas.
A Mixue faz o caminho inverso.
Cada unidade trabalha com um portfólio reduzido e focado: sorvetes, chás, limonadas e alguns itens sazonais. Isso significa menos equipamento, menos treinamento, menos desperdício e menos custo fixo para o franqueado.
Uma loja pode funcionar com 50 m² e uma equipe pequena. Isso muda completamente a equação de viabilidade.
O modelo do McDonald’s exige investimentos significativos para entrar. O modelo da Mixue foi desenhado para ser acessível a um perfil muito mais amplo de investidores.
Quando o custo de entrada é menor, mais pessoas conseguem abrir uma unidade. Quando mais pessoas abrem unidades, a rede cresce mais rápido.
É uma matemática simples, mas poderosa.
Esse modelo de franquias de baixo custo operacional é justamente o que permitiu à Mixue escalar de forma tão agressiva em mercados emergentes — e é o que está sendo trazido agora para o contexto brasileiro.
O fast dessert e as bebidas geladas têm uma característica que favorece muito esse tipo de expansão: frequência de consumo alta e decisão de compra impulsiva.
Ninguém planeia com semanas de antecedência comprar uma casquinha de sorvete. A compra acontece na hora, no calor do momento — literalmente.
Isso significa que a localização e o preço são os dois fatores mais importantes. E a Mixue domina os dois.
Com preços que praticamente eliminam a barreira de consumo e presença em pontos de alto fluxo, a rede consegue transformar qualquer passante em cliente.
Esse é o segredo por trás de um número que ainda surpreende muita gente.
A entrada da Mixue no Brasil não foi discreta.
A primeira unidade foi inaugurada no Shopping Cidade São Paulo, um dos endereços mais movimentados da capital paulista. A escolha não é por acaso: alto fluxo de pessoas, perfil de consumo diversificado e visibilidade estratégica para testar o mercado.
O cardápio trazido para o Brasil segue a espinha dorsal global da marca, mas com atenção ao gosto local.
Os produtos centrais são:
A proposta é clara: nenhum item caro, nenhuma decisão difícil na hora de comprar. O cliente chega, escolhe rápido e sai satisfeito.
Essa simplicidade de cardápio é intencional e estratégica — ela mantém a operação fluindo mesmo em momentos de alto volume de atendimento.
Um dos pontos que mais chama atenção é a casquinha a R$ 3 em pleno shopping de São Paulo.
Esse não é um preço de lançamento temporário. É o posicionamento estrutural da marca.
A Mixue acredita que o preço acessível é o produto em si. O baixo ticket não é consequência de uma estratégia de marketing — é a estratégia.
Isso cria um ciclo virtuoso: o preço atrai volume, o volume sustenta a operação, a operação escala, e a escala mantém o preço baixo.
No momento da abertura, parte dos insumos utilizados pelas lojas brasileiras ainda vem da China.
Isso é esperado para o início de qualquer operação de expansão internacional: antes de estruturar fornecimento local, é preciso garantir o padrão de produto que a marca entrega em todo o mundo.
O plano, no entanto, já está traçado: a transição para fornecedores nacionais está prevista conforme a rede escala no Brasil, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade do modelo no longo prazo.
Para quem considera investir no modelo, esse é um ponto relevante a acompanhar — especialmente pelo impacto que pode ter nos custos operacionais das unidades nos próximos anos.
A Mixue não chegou ao Brasil para testar o mercado timidamente.
O plano é ambicioso, com datas, metas e capital previsto: 1.000 unidades abertas até 2030 e um total de R$ 3,2 bilhões investidos no país.
Para efeito de comparação, esse ritmo de expansão seria um dos mais acelerados já vistos no franchising brasileiro em qualquer segmento.
O crescimento não está previsto para acontecer apenas no final da década.
Já para 2026, a meta é abrir entre 60 e 100 lojas no Brasil. Isso significa uma nova unidade sendo inaugurada praticamente a cada semana ao longo do ano.
Esse ritmo exige estrutura: equipe de expansão, pipeline de franqueados, contratos com espaços físicos e logística de suprimentos. Tudo isso já está sendo montado.
Um dos movimentos mais relevantes do plano de expansão é a construção de uma fábrica no Brasil.
Com produção local, a rede consegue:
A fábrica é um sinal claro de que a Mixue não está fazendo uma aposta de curto prazo. O comprometimento com o mercado brasileiro é estrutural.
Antes mesmo de abrir a primeira loja, a Mixue já chegou com acordos firmados com grupos administradores de shoppings em diversas praças do Brasil.
Esses contratos garantem espaço físico em locais de alto fluxo — o tipo de ponto que redes menores dificilmente conseguiriam acessar no início da operação.
Para o investidor que considera entrar no modelo, isso representa uma vantagem competitiva concreta: a marca chega com portfólio de pontos já mapeados e viabilizados, o que reduz um dos maiores desafios do franchising — encontrar o espaço certo.
A combinação de meta ousada, investimento declarado e infraestrutura sendo construída posiciona a Mixue como um dos movimentos mais relevantes do franchising no Brasil nos próximos anos.
Entender o modelo de negócio da Mixue é essencial para avaliar se ele faz sentido para o seu perfil de investidor.
A estrutura foi desenhada para ser replicável, enxuta e operacionalmente simples — características que favorecem tanto a escala da rede quanto o dia a dia de quem opera a unidade.
Cada unidade da Mixue opera com um mínimo de 50 m².
Esse é um número relevante porque define o tipo de ponto que pode receber a operação: lojas compactas em corredores de shopping, quiosques ampliados, lojas de rua em regiões de alto fluxo.
Menos espaço significa menor aluguel, menor custo de montagem e maior facilidade para encontrar pontos disponíveis.
Essa flexibilidade de formato é um dos pilares que permite à rede escalar tão rápido em mercados novos.
O modelo operacional da Mixue é baseado em alta rotatividade de clientes com processos simples.
O cardápio reduzido facilita o treinamento da equipe. A produção é padronizada. O atendimento é rápido.
Isso significa que uma unidade bem localizada consegue atender centenas de clientes por dia sem precisar de uma estrutura complexa de back-office ou cozinha elaborada.
Para o franqueado, isso se traduz em:
A Mixue já tem franqueados em processo de implantação no Brasil.
O perfil que tem avançado nas tratativas inclui empreendedores com experiência em operações de varejo ou alimentação, mas também investidores entrando no setor pela primeira vez — atraídos pelo modelo enxuto e pela força da marca global.
A lógica de atratividade é clara: uma marca com 47 mil unidades no mundo reduz significativamente o risco de conceito. O produto já foi testado em dezenas de países e mercados diferentes.
O que está sendo avaliado agora é a adaptação ao Brasil — e os primeiros resultados da loja inaugurada no Shopping Cidade São Paulo devem servir de referência para os próximos movimentos.
A estratégia de expansão da Mixue no Brasil não é aleatória.
A rede chegou com um mapa de praças já definido, priorizando locais de alto fluxo de pessoas e parceiros que garantam visibilidade desde o início da operação.
Entre os espaços já mapeados e com contratos em andamento, estão alguns dos shoppings mais relevantes do Brasil:
Esses não são pontos aleatórios. São shoppings com fluxo consolidado, boa ancoragem de público e gestão profissional — exatamente o ambiente em que um produto de ticket baixo e compra por impulso tende a performar bem.
Além dos shoppings, a Mixue tem planos concretos para lojas de rua em regiões de altíssimo fluxo.
A 25 de Março, em São Paulo, está na lista. É um dos pontos comerciais com maior volume de circulação de pessoas por dia no Brasil — um ambiente onde o modelo de preço acessível e compra rápida tem potencial imenso.
O Rio de Janeiro está previsto para receber unidades ainda em 2026.
A capital fluminense representa uma praça estratégica: clima quente durante grande parte do ano, população com alto volume de deslocamentos em áreas comerciais e forte cultura de consumo de sobremesas e bebidas geladas.
A combinação de shoppings âncora, lojas de rua e praças estratégicas fora de São Paulo mostra que a Mixue está pensando em escala nacional — não apenas em São Paulo como teste antes de decidir se avança.
A chegada de uma nova marca de alimentação a um shopping não é apenas mais uma loja no corredor.
Para os administradores, cada novo tenant é uma aposta no fluxo de visitantes e, consequentemente, na receita de todo o empreendimento.
Os grupos administradores de shoppings parceiros da Mixue projetam um crescimento de 8% a 10% no fluxo de visitantes nas primeiras semanas após a abertura de cada unidade.
Esse é um número expressivo — e diz muito sobre a expectativa que existe em torno da marca.
Para efeito de comparação, a maioria das novas lojas em shoppings não tem impacto mensurável no fluxo geral. O fato de os administradores projetarem crescimento específico por conta de uma única loja indica que a Mixue está sendo tratada como uma âncora de atração de público, não apenas como mais um tenant.
Essa percepção dos administradores de shoppings tem valor prático para quem está avaliando o modelo.
Quando um shopping acredita que uma marca vai trazer mais gente, ele:
Isso cria um ambiente favorável para o franqueado operar — especialmente nos momentos iniciais, quando toda vantagem de localização e condição comercial faz diferença.
Parte do impacto esperado nos shoppings vem da curiosidade gerada pela chegada de uma marca global.
Pessoas que ainda não conhecem a Mixue vão ao shopping para conhecer. Quem já conheceu em viagens internacionais vai para revisitar. A mídia cobre. As redes sociais amplificam.
Esse ciclo de atenção inicial é um ativo que a rede usa de forma inteligente para garantir um começo sólido em cada praça nova — e é um dos motivos pelos quais a escolha dos primeiros pontos é tão estratégica.
O mercado de fast dessert e bebidas geladas acessíveis no Brasil está se formando agora — e a Mixue não é a única apostando nele.
Em fevereiro de 2025, a rede indonésia Ai-CHA chegou ao Brasil, trazendo um portfólio focado em chás, bebidas geladas e sobremesas com posicionamento de ticket acessível.
Antes mesmo de a Mixue inaugurar sua primeira unidade, o nicho já tinha um player estrangeiro tentando se estabelecer no país.
A chegada de duas redes internacionais ao mesmo segmento, no mesmo período, não é coincidência.
Ambas estão respondendo ao mesmo sinal: o Brasil tem um mercado consumidor gigante, subatendido no nicho de sobremesas rápidas e baratas, com clima favorável ao consumo de produtos gelados durante boa parte do ano.
Quando dois ou mais players chegam ao mesmo tempo a um mercado novo, geralmente é porque os dados apontam na mesma direção.
A liderança da Mixue não enxerga a presença de concorrentes como um problema.
“A concorrência educa o mercado e amplia o segmento para todos.”
Essa é a visão declarada do CEO da rede sobre o cenário competitivo em formação no Brasil.
A lógica faz sentido: quando mais marcas comunicam a existência de um nicho, mais consumidores aprendem sobre ele. O mercado cresce como um todo, e as redes bem posicionadas se beneficiam do volume maior.
Para o empreendedor que está avaliando entrar no segmento, a presença de concorrentes traz dois lados.
Por um lado, confirma que o mercado existe e tem potencial real — outras empresas com capital e inteligência de mercado estão apostando no mesmo nicho.
Por outro, significa que pontos estratégicos tendem a ser disputados — e que quem se posicionar antes nas melhores praças terá vantagem competitiva difícil de reverter depois.
O relógio corre para os dois lados.
Nem todo modelo de franquia é para todo tipo de empreendedor.
O modelo da Mixue tem características específicas que tendem a favorecer certos perfis — e é importante ser honesto sobre isso antes de qualquer decisão.
A Mixue não é uma rede de restaurantes com cozinha completa e alto custo de implantação.
O modelo foi desenhado para operações compactas, com espaços a partir de 50 m² e estrutura enxuta.
Isso sugere que o capital inicial necessário tende a ser menor do que o exigido em modelos de alimentação mais complexos — embora os valores oficiais de investimento para o mercado brasileiro ainda estejam sendo confirmados pela rede.
Quem tem capital disponível para uma operação de médio porte e busca um modelo com overhead baixo tende a se encaixar melhor nessa proposta.
Alto giro significa alto volume de atendimento.
Em dias de pico, uma unidade bem localizada pode atender centenas de clientes em poucas horas. Isso exige capacidade de gestão de equipe, organização de processos e atenção constante ao fluxo de operação.
Empreendedores que buscam um negócio tranquilo e de baixo volume provavelmente vão se sentir desconfortáveis nesse modelo.
Já quem tem perfil dinâmico, gosta de operação ativa e entende que o volume é o produto — vai se sentir em casa.
O modelo de ticket baixo e alto volume funciona de forma diferente do que muitos empreendedores estão acostumados.
A margem por produto é menor do que em redes de alimentação premium. O que sustenta o negócio é o volume de vendas.
Isso exige uma mentalidade diferente: o sucesso não está em vender caro para poucos, mas em vender bem para muitos.
Quem já operou em varejo de alto giro ou entende essa lógica tende a se adaptar mais facilmente ao ritmo da Mixue.
Por fim, o modelo exige que o franqueado saiba operar em ambientes de alta circulação de pessoas.
Shoppings, regiões comerciais densas e lojas de rua em zonas movimentadas têm dinâmicas próprias: horários de pico, sazonalidade de fluxo, necessidade de reposição rápida de produto e equipe treinada para velocidade.
Quem já tem experiência nesse tipo de ambiente — ou está disposto a aprender — tem mais condições de extrair o potencial do modelo.
Avaliar qualquer oportunidade de negócio exige olhar para os dois lados da equação.
A Mixue tem atrativos concretos. Mas também tem variáveis que merecem atenção antes de qualquer decisão.
A combinação dessas variáveis exige análise cuidadosa — mas também mostra que o momento atual é um dos mais relevantes para quem está monitorando o setor de franchising no Brasil.
A Mixue representa uma movimentação concreta no franchising brasileiro: marca global, preço acessível e plano de escala estruturado. Para empreendedores atentos, o momento inicial de uma rede em expansão tende a concentrar as melhores oportunidades.
Acompanhe de perto o desenvolvimento desse mercado, avalie os critérios com rigor e posicione-se com estratégia antes que as praças mais atrativas sejam ocupadas.
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