Franquia de consertos de celulares em 2026: vale a pena investir?

Com centenas de milhões de smartphones ativos no Brasil, a quebra de um aparelho não é uma questão de “se”, mas de “quando”.

Para o investidor, isso transforma franquia de consertos de celulares em um serviço de alta recorrência: tela, bateria, conector, câmera, software.

É o básico que mantém fluxo diário.

Mas existe um ponto duro: é um mercado com muita oferta local.

Então a pergunta real não é só “vale a pena?”, e sim:

Em quais condições uma franquia ganha de uma assistência independente e quando ela perde margem rapidamente?

O cenário de volume e vulnerabilidade

Smartphone é item essencial. Isso cria volume. Ao mesmo tempo, o setor é vulnerável a variáveis que mexem direto na margem:

  • Preço e qualidade de peças, e a disponibilidade local
  • Mão de obra técnica, treinamento, retenção e retrabalho
  • Confiança, prazo, garantia, reputação e recorrência

E tem um componente curioso: a segurança pública influencia o comportamento do consumidor e o mix de receitas.

Como roubos e furtos alteram a demanda

  • Quando roubos caem: o usuário fica mais tempo com o aparelho, em ciclos de 2 a 3 anos, exigindo mais manutenção, como bateria, conector e reparos mais complexos.
  • Quando roubos sobem: cresce a busca por seguro, aparelhos usados e refurbished.

O consumidor compara mais preço e prazo, o que exige operação bem controlada para não virar guerra de desconto.

Leia também: Além do celular: oportunidades em franquia de manutenção em equipamentos

Como uma franquia se destaca das assistências independentes

Uma franquia faz sentido quando entrega pelo menos dois destes três pilares melhor do que você sozinho:

  • Aquisição de clientes com CAC menor e previsível
  • Operação com SLA, qualidade e baixa taxa de retorno em garantia
  • Suprimentos com peças homologadas, padrão e margem protegida

Se a rede não fortalece isso, você paga taxa por “marca e manual”. E manual não paga boleto.

Comparando redes: modelo enxuto vs. modelo de escala

Em geral, as franquias deste segmento se posicionam em dois estilos operacionais.

1) Modelo enxuto, com custos fixos baixos

Foco em reduzir custo fixo e acelerar a rampa.

Quando faz sentido

  • Você quer começar com estrutura leve, home based ou ponto pequeno
  • Você domina execução comercial local, Google, Maps, parcerias e indicação
  • Você tem disciplina de processo para não virar caos de agenda

Riscos comuns

  • Dependência excessiva do dono, tudo passa por você
  • Gargalo de capacidade, sem equipe treinada não escala
  • Margem corroída por tempo improdutivo, principalmente com deslocamentos

2) Modelo de escala, com rede maior e mais estruturada

Foco em padronização, suprimentos e venda cruzada.

Quando faz sentido

  • Você quer operar com playbook mais rígido, indicadores e rotina
  • Você vai rodar com equipe e precisa de treinamento contínuo
  • Você pretende capturar acessórios e serviços complementares com processo

Riscos comuns

  • Ponto de equilíbrio mais alto, estrutura antes do volume estabilizar
  • Taxas e exigências que só fecham a conta com boa cadência de vendas
  • Operação virar refém de metas, não de margem

Leia também: Guia 2026: como abrir uma franquia de loja de conserto e assistência técnica

O segredo da lucratividade: ir além da troca de tela

Muita gente olha só troca de tela e bateria porque é o que mais aparece. Só que isso tende a virar commodity: muita concorrência e comparação por preço.

O que costuma separar operação ok de operação realmente lucrativa é o mix, especialmente quando você vende complexidade com confiança, diagnóstico, garantia e previsibilidade.

Exemplo de mix por margem, estimativas típicas do setor

Serviço e perfil de margem

  • Acessórios, capas, cabos e películas: margem alta, complexidade baixa
  • Troca de tela e bateria: margem média, complexidade média
  • Reparo de placa e micro solda: margem alta, complexidade alta

O pulo do gato costuma estar em reparo de placa e micro solda: menos gente faz bem, o ticket sobe, e você cobra pelo know how.

Mas só funciona com controle rigoroso de qualidade, testes e garantia. Sem isso, vira retrabalho infinito.

Checklist rápido: quando vale a pena de verdade

Tende a valer a pena se

  • Há demanda recorrente no território e poder de compra compatível
  • A franquia entrega padrão operacional, suprimentos e suporte comercial
  • Você mantém tempo de diagnóstico e prazo de entrega competitivos
  • Você mede taxa de retorno em garantia e ataca retrabalho semanalmente
  • Você tem caixa para maturação, sem operar no limite

Sinais de alerta

  • O modelo depende de desconto constante para vender
  • Você não tem plano de equipe, só “um técnico resolve tudo”
  • A rede não ajuda com peças, treinamento e auditoria
  • O COF é vago e as projeções não batem com franqueados

Conclusão: é um bom negócio?

Pode ser, sim, principalmente quando você escolhe um modelo que combina com seu perfil, enxuto ou escala, e monta um unit economics realista baseado em capacidade, mix e controle de perdas.

A franquia tende a ganhar da operação independente quando reduz o imposto invisível do setor: peça errada, retrabalho, prazo estourado e reputação ruim.

Se ela te ajuda a governar isso, você compra trilho que acelera e protege a margem.

Se não ajuda, você só compra custo fixo com uniforme.

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