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Um shopping para a base da pirâmide

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Pelo Largo Treze, um dos mais movimentados entroncamentos da cidade de São Paulo, passam por dia 1,3 milhão de pessoas, que vêm e voltam da Zona Sul, a mais populosa do município. Será no meio desse redemoinho de gente, ônibus, carros, camelôs e todo tipo de loja que a REP vai construir o seu primeiro shopping center desenhado exclusivamente para as classes que estão na base da pirâmide social – estima-se que só 20% dessa população frequente shoppings no país.

O empreendimento no Largo Treze, que vai custar R$ 200 milhões, já está sendo construído e deve ficar pronto no dia 29 de outubro de 2010, em uma área antes ocupada por um estacionamento. Ao seu redor ficam o terminal de ônibus e metrô, o maior posto Poupa Tempo da prefeitura e um campus da Uninove.

Dentro do shopping, grandes varejistas como Magazine Luiza, McDonald’s e Bob’s, vão conviver com pequenos negócios, como o restaurante por quilo Jeca Tatu e a Casa dos Churros. Como o shopping do Largo Treze foi feito para atrair as “lojinhas” que estão nas ruas, o shopping abrigará em seus 17 mil metros quadrados de área locável cerca de 400 operações, o dobro de um centro comercial tradicional.

Outro atrativo do empreendimento serão as lojas de calçados – a American Shoes, por exemplo, já confirmou interesse . Segundo um analista, os sapatos são valorizados pela população que depende de transporte público para se locomover. Pode-se até mesmo saber qual é o perfil de um centro comercial pelo número de varejistas calçadistas, diz uma fonte. “Em vez de apenas adaptar um shopping convencional para o comércio popular de rua, fizemos o caminho inverso. Nosso objetivo foi criar um novo conceito, que pudesse trazer o comércio popular para dentro de um ambiente mais organizado e confortável”, afirma Marcos Romiti, presidente da REP, empresa controlada pela LDI (Grupo Lidencorp) e pela PDG Realty.

O shopping está sendo construído de uma forma pouco usual. Além da área convencional para grandes operações, o restante do espaço será dividido em módulos, de apenas oito a dez metros quadrados, que serão alugados por um preço fixo de R$ 3 mil. Segundo Romiti, o valor não pode ser muito diferente daquele de ocupação de uma loja de rua.

A REP já negocia a aquisição de, pelo menos, outros três terrenos. O foco da empresa são shopping centers pequenos, de até 15 mil metros quadrados de área locável (ABL), e pequenos centros comerciais de rua, conhecidos como “strip malls” – a empresa já possui 18 em São Paulo, em locais como a Rua Cardoso de Almeida e o bairro da Vila Madalena, na zona oeste.