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O que explica os casos de sucesso e de fracasso das microfranquias

As microfranquias, modelos de negócio que exigem investimento de até R$ 80 mil, surgiram e se desenvolveram com velocidade nos últimos anos, contribuindo de forma importante para alavancar os números do Franchising no Brasil. Esse formato representou uma inovação para o setor. Com as microfranquias, deixou-se de lado a tradicional visão de segmentos de mercado e passou-se a olhar as redes seguindo outro critério: a faixa de investimento. 

Esta novidade aproximou o mercado de franquias de empreendedores com menor capacidade de investimento. O sonho de ter um negócio próprio e, ao mesmo tempo, empreender em um ambiente mais “controlado” como o das franquias, se tornou enfim uma realidade para muitos empreendedores.

O cenário econômico também contribuiu para as microfranquias se popularizarem. O crescimento da classe média, o aumento do volume de recursos disponíveis para investimentos no país e o baixo valor das microfranquias criaram um boom para as franqueadoras que conseguiram ajustar seus modelos de negócios neste conceito.

O sucesso dos franqueadores, no entanto, infelizmente não se estende aos franqueados na mesma proporção. Para estes empreendedores, a situação é bastante variável. Há casos de sucesso estrondoso. Mas também há diversos casos de fracasso dos franqueados, que ainda aparecem muito pouco devido ao momento de expansão forte do setor.

O histórico das microfranquias ainda é curto. Há também uma grande pulverização dos franqueados. Além disso, as microfranquias não têm pontos comerciais – por isso, ficam pouco expostas ao grande público. Tudo isso faz com que ainda seja difícil ter um mapa claro de quais redes têm maior ou menor resultado.

Alguns fatores, no entanto, são comuns à boa parte das redes e explicam esta variabilidade de resultados. Em primeiro lugar, há uma concentração das microfranquias no setor de serviços – ramo em que o investimento é mais baixo, porém o risco é mais alto. Além disso, o negócio tem um caráter muito pessoal, exigindo qualificação e dedicação que nem todos franqueados possuem.

Outro problema é que há alguns franqueadores muito agressivos nas vendas, que não fazem uma análise mais profunda do perfil dos franqueados antes de aceitá-los na rede. Muitos franqueados, por sua vez, também não avaliam a fundo a compatibilidade entre seu perfil e as competências exigidas pelo negócio.

Além disso, os treinamentos e todo o suporte são dados ao franqueado no início do negócio, mas algumas redes não acompanham o franqueado nos próximos passos. Também é comum que muitos franqueados tenham a expectativa de ter um rendimento muito alto, incompatível com o baixo investimento realizado. Para piorar, esses negócios têm baixo ou nenhum valor de revenda caso o franqueado não se identifique com a operação.

*Fernando Campora é sócio do Grupo Cherto e co-autor dos livros “Franchising- uma estratégia para expansão de negócios” e “Mais que Franchising”.