Crise impulsiona inovação no mercado de franquias

Maiara Souza - 13 de junho de 2018

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Hoje com a oferta superior a demanda, as empresas precisam cada vez mais trazer novidades para o mercado. Por isso, o franchising investiu em inovação para sobreviver e continuar crescendo mesmo com o atual cenário da economia brasileira.

 

As mudanças em franquias não param, as empresas estão mudando seu modelo de negócio, formato das unidades, estratégias de ampliação e também nos perfis dos franqueados. Muitas redes criaram novos formatos de franquia, com modelos menores enquanto outros aproveitaram para expandir suas operações.

A associação brasileira de franchising realizou uma pesquisa de inovação nas franquias brasileiras, e relatou que 91,8% das redes franqueadores introduziram novos produtos ou serviços entre 2014 e 2016. Quase 80% dessas empresas afirmaram que sua participação no mercado aumentou e 85% delas dizem que as iniciativas inovadoras aumentaram sua rentabilidade. “Quem quis sobreviver no mercado teve que se reinventar. Fizeram mudanças na localização, inovaram no atendimento, melhoraram processos, renovaram ou enxugaram cardápios etc.”, explica Marcus Rizzo, da consultoria Rizzo Franchise.

 

Novos modelos

Uma das principais estratégias foi desenvolver modelos de franquia menores, que pedem um investimento menor do franqueado. “Com o começo da crise, vimos que o perfil do franqueado mudou. Havia gente com dinheiro, mas com vontade de investir menos e não se descapitalizar totalmente”, afirma Luiz Cury, diretor de franquias de pizzarias Patroni. A Patroni oferece o formato expresso que tem investimento inicial de R$ 150 mil, o modelo clássico parte de R$ 400 mil. “É um modelo ideal para lugares de alto consumo e tráfego de pessoas que precisa de menos funcionários que a operação tradicional”, explica. “A aceitação foi boa, principalmente nos locais não convencionais, como estádios de futebol, universidades, cursinhos e centros comerciais.” Hoje, já são 11 lojas Expresso no país.

A opção também atrai investidores de cidades menores, onde uma operação tradicional, mais robusta, não econtra mercado. A franquia Mahogany por exemplo, marca de cosméticos, criou um formato de franquia menor, com o objetivo de expandir em um mercado muito promissor. A marca visiva expansão em munícipios do interior, de população inferior a 100 mil habitantes e por isso reavaliou seus modelos tradicionais. Hoje, a franqueadora oferece opções light para as lojas de rua e shoppings, além do formato ”super light” para cidades de até 50 mil habitantes. Já são 45 operações como essas no país. “Conseguimos, em espaços melhor aproveitados e otimizados, expor nossa linha completa, com menos capital, e com isso menor tempo de retorno do investimento e com baixo custo de locação e manutenção”, diz. Além disso, o relacionamento do lojista com o mercado local é mais próximo, facilita a relação com o cliente e garante boa lucratividade. “O empreendedor tem a oportunidade de abrir sua primeira loja, muitas vezes na mesma cidade onde mora ou onde tem maior afinidade, já conhece e interage com a população local, acelerando a maturação do negócio.”

 

Franquias Múltiplas

No momento de crise, as franqueadoras contaram com a ajuda de empresários experientes, que já possuem outras redes ou operações de outras marcas. De acordo com a pesquisa de franqueados multiunidades, realizada pela ABF, 84% das redes de franquia têm em seus quadros parceiros de negócios multiunidades, donos de mais de uma franquia da mesma merca ou de marcas diferentes.

“Esse tipo de empreendedor tem mais poder de investimento. Com a crise, muitos franqueados menos experientes acabam ficando pelo caminho e um franqueado mais experiente tem facilidade de absorver e recuperar uma loja que tem potencial. Para as franqueadoras, é melhor do que fechar as portas”, explica Rodrigo Catani, head de eficiência operacional da AGR Consultores. E com isso, diminuem os custos de encontrar um parceiro novo e formá-lo.

As inovações que vieram da crise não vão sumir junto com ela. As redes pretendem continuar investindo nos novos modelos e negócios. “A crise impulsionou as inovações no mercado de franchising. As redes enxergaram e criaram novos nichos de negócio e estão ganhando dinheiro com isso. Foi bom para as franqueadoras e foi também para os franqueados. Isso não deve mudar”, afirma Vanessa Bretas, gerente de inteligência de mercado da ABF.

 

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