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Natura & Co: uma gigante pelo fim dos testes de cosméticos em animais

Após a aquisição da marca britânica The Body Shop pela Natura, nasceu um grupo de cosméticos global, multicanal e multimarcas – O Natura & Co, constituído também pela australiana Aesop, adquirida em 2012, a marca se torna uma gigante no mercado na luta pelo fim do teste de ingredientes e produtos em animais, e quer convencer o mundo a fazer o mesmo.

 

“Para Sempre Contra Testes em Animais”, é o nome que carrega a campanha promovida pela The Body Shop, que tem como objetivo conseguir oito milhões de assinaturas em uma petição pelo fim dos testes animais na indústria cosmética e encaminhar o documento à ONU, a fim de criar uma pressão global pelo fim dos testes. A petição está disponível online e também pode ser assinada em uma das 121 lojas da The Body Shop no Brasil.

A causa naturalmente ressoa nas demais marcas do grupo Natura &Co. Apoiadora da campanha, a brasileira Natura não testa produtos ou ingredientes em animais há mais de dez anos, e tampouco o faz a australiana Aesop. Ao longo desta semana, toda a rede de consultoras da Natura vai receber a nova revista da marca para conseguir assinaturas para a campanha. O grupo está estudando a possibilidade de aderir a um selo “cruelty free”, que comunique de forma mais clara aos consumidores o posicionamento da marca.

 

Novas regras, novos mercados

Eliminar todo e qualquer teste na indústria cosmética mundial exige mudanças de regras. São diversas as leis que regulamentam a produção de cosméticos no mundo. Há países que permitem o uso de cobaias animais em casos específicos, por exemplo, para avaliar irritação, alergias e corrosão da pele, testes oculares e de toxicidade. É o caso do Brasil, onde esse tipo de prática é permitida, embora não obrigatória, e do Japão. Na União Europeia, testes de produtos cosméticos em animais são proibidos há cinco anos.

Mas a prática ainda é obrigatória na China, um dos maiores mercados de produtos de beleza e com grande potencial para a expansão das três marcas da Natura &Co, que ainda não atuam por lá. Em teleconferência com analistas em dezembro passado, Robert Chatwin, vice-presidente internacional da Natura, afirmou que o grupo poderia “ter um plano China”, embora não tenha detalhado que plano seria. Seja como for, a expansão de cosméticos “cruelty free” no mercado asiático é totalmente dependente da mudança da legislação chinesa.

 

Testes livres de crueldade

No Brasil, a Natura foi uma das primeiras gigantes do setor a extinguir os testes de cosméticos em animais, em 2006. A marca já desenvolveu 67 metodologias alternativas, tanto para avaliar a segurança quanto eficácia dos ingredientes e produtos. Ao invés de usarem animais, os métodos modernos de teste incluem exames sofisticados usando células e tecidos humanos em 3D (o chamado “in vitro”), técnicas de modelagem de computador avançadas (conhecidas como modelos “in silico”), e estudos com voluntários humanos nas últimas etapas de testes.

A empresa não abre quanto já foi investido no desenvolvimento de tecnologias alternativas para testes de segurança e eficiência. “Mas posso te assegurar que é bastante. Como trabalhamos com ingredientes inéditos da biodiversidade, há uma grande preocupação em garantir que eles são seguros, e daí a necessidade de tecnologias sofisticadas para garantir segurança do consumidor”, diz Andrea Alvares, vice-presidente de marketing, inovação e sustentabilidade da Natura.

 
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