Ilustração - Blog Franchise Store

Mercado fitness cresce dois dígitos ao ano

 

*Por Daniela Rocha/Valor Econômico
 
 
O mercado brasileiro de academias de ginástica deu um salto surpreendente. Entre 2007 e 2012, o faturamento dobrou, passando de 1,2 bilhão de dólares para 2,4 bilhões dólares, segundo levantamento realizado pela International Health, Racquet & Sportsclub Association (IHRSA). Recentemente, o Brasil atingiu o posto de segundo país no mundo em número de academias com 23,4 mil estabelecimentos em operação, perdendo apenas dos Estados Unidos. Atualmente, são 7,3 milhões de pessoas matriculadas, o que coloca o país no sexto lugar no ranking mundial em número de clientes, atrás dos Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Reino Unido e Canadá. Em média, o crescimento foi de 16% ao ano nos últimos seis anos, superior ao desempenho médio da economia brasileira que foi de 3,7% ao ano no mesmo período.
 
Os representantes do setor seguem otimistas quanto ao potencial. "O segmento tende a crescer na faixa de dois dígitos ao ano nos próximos cinco a dez anos", destaca Peter Thomas, CEO da Runner. Segundo Kleber Pereira, diretor da Associação Brasileira de Academias (Acad), apesar de economistas preverem desempeho modesto do PIB em 2013, pouco acima de 3%, a perspectiva é de avanço de pelo menos 10% no ano.
 
O negócio de fitness segue a passos largos no país porque há correlação entre o aumento da renda per capta e o percentual de pessoas que cuidam preventivamente da saúde, avalia Luiz Urquiza, diretor presidente do Grupo Bodytech com base em estudos internacionais. Se o Brasil continuar fazendo o dever de casa de melhoria de renda, o executivo diz que a tendência é que aumente o número matriculados. Eles representam apenas 3,7% da população. Em 2007, a participação era de 1,8%. "A classe D está enxugando e as classes C e B têm crescido de forma substancial. Com a mobilidade, a partir do momento em que as pessoas têm suas necessidades básicas e higiênicas preenchidas, passam a contar com recursos para investimento em cosméticos e academias de ginástica", afirma Urquiza.
 
Cada vez mais os médicos têm incentivado a prática de exercícios físicos no dia a dia como garantia de boa saúde. A mídia especializada pega carona e dissemina a importância das atividades com regularidade. Há foco na prevenção, mas também na melhoria das condições de vida das pessoas que já sofrem de doenças como hipertensão, diabetes, depressão, insônia ou problemas cardíacos, de coluna e articulações. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 31% da população é portadora de pelo menos uma doença crônico degenerativa. O combate à obesidade é outra bandeira mundial, sendo que no Brasil, considerando-se apenas o público de mais de 20 anos, mais de 60% dos homens e mulheres sofrem de sobrepeso ou obesidade. O envelhecimento da população brasileira também é uma realidade que mexe com o mercado fitness. Os exercícios de fortalecimento muscular são indicados para que as pessoas atinjam idade avançada com boa mobilidade e mais independência. "A expectativa de vida do brasileiro é de 73 anos. Em vez de terceira idade, fala-se em quarta idade. Os idosos hoje, mesmo aposentados, continuam trabalhando ou fazendo variadas atividades ", comenta Fabio Pelissioni, gerente de marketing da Fitness Brasil, maior empresa de conteúdo de fitness e bem-estar da América Latina. De maneira geral, os especialistas esperam expansão da demanda complexa. "Será fundamental as academias se capacitem para crescer com esses públicos", enfatiza Luiz Urquiza, da Bodytech.
 
O fato é que ocorreu uma mudança de paradigma na área. "Antigamente se atrelava a atividade física ao modismo e a alguns aficionados pela boa forma, mas hoje o lado da saúde e do bem-estar ganharam grande peso", constata Richard Bilton, diretor presidente da Companhia Athletica. Diversas academias tem aproveitado para agregar produtos e serviços diferenciados aos clientes como lojas de roupas, materiais esportivos, suplementos e alimentos funcionais, SPAs, programas de dietas e centros de estética. Essa é mais uma forma de ampliar os resultados. "Levando-se em conta o mercado abrangente de bem-estar, o Brasil concentra 90% dos investimentos na America do Sul e 55% na America Latina e ainda tem muito espaço para evoluir", afirma Fabio Pelissioni da Fitness Brasil.
 
O grupo Bio Ritmo passou a apostar em uma estratégia diferenciada, para aproveitar a onda da redistribuição de renda. Com a marca Smart Fit, simplificou a operação para cobrar mensalidades menores do que as praticadas pela rede Bio Ritmo, conhecida pelo alto padrão. Na Smart Fit, as matrículas podem ser feitas pela internet e a oferta é mais enxuta: sala de musculação e a área de cardio com bicicletas e esteiras. "É um modelo menos sofisticado, com menor rentabilidade, porém, maior volume de alunos", explica Edgard Corona, fundador e presidente do grupo. As mensalidades variam de 49 reais a 69 reais, dependendo da região. Esse é o segmento da empresa que mais cresce, incluindo operações de internacionalização no México e no Chile.
 
O grupo Bodytech também está atuando em diferentes mercados. A rede Bodytech é constituída por grandes e médias academias com foco nas classes A e B e grande oferta de serviços. Já a rede Fórmula tem como objetivo a praticidade. A estrutura básica é formada por uma área de musculação, espaço para atividade aeróbica com esteiras, uma sala para aula de spinning (bicicleta) e uma sala para demais aulas coletivas. O tíquete está entre 89 reais e 169 reais. "A Fórmula Academia é voltada para quem faz uma escolha mais funcional. Mas, os preços abrem a possibilidade para que pessoas em mobilidade social venham para o nosso negócio", comenta Luiz Urquiza, diretor presidente do grupo.
 
Para saber mais sobre a rede de franquias Fórmula, clique aqui.