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Mercado de franquias cresceu 11,9% e faturou R$ 115 bilhões em 2013

Segundo dados divulgados hoje (11/03) pela Associação Brasileira de Franchising, o faturamento total do setor atingiu R$ 115 bilhões no ano de 2013, o que representa um crescimento de 11,9% em relação ao ano de 2012. Mais uma vez, o franchising brasileiro obtém um desempenho positivo, diversas vezes superior ao PIB nacional, que neste período cresceu 2,3%, segundo dados divulgados recentemente pelo IBGE.

 

Crescimento Franquia x Crescimento PIB

Redes de Franquia em operação no Brasil 
De acordo com o levantamento, o número de redes em operação no País é de 2.703, um aumento de 11,4% em relação ao ano de 2012. Só em 2013, 277 novas franquias surgiram no mercado. 

O franchising brasileiro ocupa a terceira colocação no ranking do World Franchise Council, em número de marcas, atrás apenas da China e Coréia do Sul.     “Em 2013 superamos pela primeira vez os Estados Unidos em número de marcas”, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF, ao explicar que os Estados Unidos estão em quarto lugar no ranking, seguido de Turquia, que ocupa a quinta colocação. 

Das marcas em operação no Brasil, 92,4% são genuinamente brasileiras, sendo que, deste total 4,8% (121 marcas) operam também no exterior. No ano passado, várias franquias brasileiras iniciaram operação fora do país, como a  Container Concept, Fabrizio Giannone e a Yogoberry. Já as marcas Vivenda do Camarão e Dumond ampliaram significativamente a atuação internacional.

Também ingressaram no Brasil 42 marcas estrangeiras. Entre elas, Coldwell Banker (Imobiliária), Hypoxi (Beleza) e 7Camicie (Vestuário).

Número de unidades franqueadas 
Em relação ao número de unidades ou pontos de vendas, o setor atingiu a marca de 114.409, em 2013, que representa um crescimento de 9,4%.  De acordo com o World Franchise Council, com esse número, o Brasil ocupa a 6a posição no ranking por unidades franqueadas, atrás dos EUA (1o), China (2o), Coréia do Sul (3o), Japão (4o) e Filipinas (5o). “Ao comparar o número de unidades do Brasil com os demais países listados nesse ranking, fica evidente o potencial de crescimento que ainda temos em nosso país”, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da ABF.

De acordo com a ABF, ainda há uma grande concentração de unidades na região Sudeste (58,7%) porém, nos últimos anos, as redes têm investido mais no interior  e fora do eixo Rio-São Paulo. A expansão das redes por todo o país mostra uma crescente participação das demais regiões: Sul (14,5%)Nordeste (14,5%)Centro Oeste (8%) e Norte (4,3%).

O mesmo movimento acontece com os centros de compra. Segundo dados da ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers, a região Norte já tem 21 shopping centers em operação e a previsão é de inaugurar mais 5 em 2014, em cidades como Castanhal e Paragominas, no Pará.  Na região Nordeste estão em operação 68 shopping centers e a previsão para este ano é inaugurar outros 7, em cidades como Parnaíba, Açailândia, Juazeiro do Norte e Teixeira de Freitas.

 “A ABF por meio de parceria com a administração pública, com o Sebrae e também com os Shopping Centers tem divulgado o potencial de negócios dessas regiões e incentivado as redes a aproveitarem essas oportunidades”, afirma Camargo, ao explicar que o franchising é responsável hoje por levar marcas e serviços para o interior do Brasil, com forte abrangência e capilaridade.

O estudo da ABF apontou ainda que o franchising está presente em todos os municípios brasileiros com mais de 40 mil habitantes.

Setor de Franquias ultrapassa 1 milhão de empregos gerados 
De acordo com o Ministério do Trabalho, o Brasil gerou 1.117.171 empregos em 2013. A maioria desses empregos foram gerados nas áreas de Serviço e Comércio, mercados onde atuam a maioria das franquias.

O franchising contribuiu com a criação de mais de 88 mil novos postos de trabalho, totalizando 1.029.681 empregos diretos e formais, um crescimento de 9,4%, em relação ao ano de 2012. Além de gerar postos de trabalho, o franchising é responsável por grande parcela do primeiro emprego. As redes dão oportunidade, principalmente, aos jovens e investem pesado em programas de treinamento e capacitação profissional. “A natureza do franchising é a transmissão de know how e tecnologia e, portanto, o treinamento é um dos pilares desse modelo de negócios”, explica o diretor executivo da ABF. 

“O franchising é um setor da economia que cresce sólida e constantemente. Nos orgulhamos em contribuir com a geração de mais de um milhão de empregos diretos e, mais importante, formais. Primamos pela excelência na prestação dos serviços, bem como nos produtos que entregamos à sociedade”, destaca Cristina Franco, presidente da ABF.

Franchising e seus Segmentos 
O segmento que apresentou melhor resultado em ampliação de faturamento foi Esporte, Saúde, Beleza e Lazer, com23,9%. Esse aumento é reflexo, principalmente, de um acentuado crescimento no consumo de produtos ligados à beleza e cosméticos. O Brasil, em 2013, alcançou o2° lugar no ranking mundial deHigiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, de acordo com a ABIHPEC. 

O estudo também revelou que 73 novas marcas ingressaram neste segmento. Dentre as novas redes, vale destacar as seguintes marcas: Essencial Care, Nagis e Body Concept. As cinco marcas de maior faturamento em Esporte, Saúde, Beleza e Lazer são O Boticário, Ri Happy/ PbKids, Farmais, Ótica Diniz e IGUI Piscinas. 

Em seguida, vem o segmento de Hotelaria e Turismo, com crescimento de 21,9%. Segundo dados da Embratur, no ano passado, o Brasil recebeu cerca de 6 milhões de turistas estrangeiros. O faturamento cresceu principalmente por conta dos grandes eventos que o Brasil recebeu em 2013, como a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude, o Rock In Rio e Fórmula 1, sem deixar de considerar o turismo interno.

Na esteira deste crescimento algumas redes se destacaram, entre elas Flytour, TAM Viagens, Accor Hospitality, CI – Central de Intercâmbio e Marsans.

O crescimento de 17,1% do segmento de Acessórios Pessoais e Calçados reflete a expansão das marcas que lideram esse ranking como Arezzo, World Tennis, Chilli Beans, Carmen Steffens e Havaianas. Também destaca-se o ingresso no sistema de franquias da Primicia, mais um exemplo de indústria migrando para o varejo.  

Esse segmento é fortemente impactado pelo avanço das mulheres no mercado de trabalho. De acordo com a OIT- Organização Internacional do Trabalho, as mulheres já compõem 49,3% da força de trabalho no Brasil. Além do aumento do poder de compra feminino, para sair ao trabalho a mulher brasileira investe cada vez mais em sua aparência.  

O segmento de Alimentação, um dos mais expressivos e consolidados do universo das franquias, cresceu 16,6% e vem apresentando taxas de crescimento acentuado todos os anos. A estabilidade econômica nacional proporcionou um aumento considerável do food service, ou seja, no mercado da alimentação fora do lar.  Em 2013, do gasto com alimentação das famílias, mais de 30% foram feitos fora do lar. Como consequência, o food service cresceu 9,8%, de acordo com o Anuário Brasileiro da Alimentação Fora do Lar. 

As maiores redes de franquias de Alimentação são McDonald’s, Habib’s, Subway, Bob’s e Cacau Show. 
O segmento de Educação e Treinamento (16,6%) foi beneficiado pelo aumento da procura pelo ensino de idiomas e também pelos cursos profissionalizantes. As maiores redes que puxaram o faturamento do setor foram Wizard Idiomas, CNA, FISK, CCAA e Yázigi. 

A expectativa é que o gasto com educação particular no Brasil cresça ainda mais. Segundo estudo do Data Popular,  em 2014, as famílias gastarão cerca de R$ 72 bilhões com educação. Nos últimos 10 anos, o investimento em educação das famílias brasileiras mais que dobrou.

Esses números chamam a atenção do mercado e o setor tem atraído investimentos. O Grupo Multi, por exemplo, dono das marcas de idiomas e de cursos profissionalizantes We Speak, Wizard, Yázigi, Skill, Alps, Quatrum, Microlins, S.O.S., Bit Company, People e Smartz School foi adquirido pelo conglomerado inglês Pearson. A Pearson, que é dona da editora Penguin Books e do jornal  Financial Times, controla também no Brasil o sistema COC de ensino.

Impulsionado principalmente pela forte demanda por smartphones e tablets, o segmento de Comunicação, Informática e Eletrônicos(*), viu seu faturamento crescer 15,1%. Segundo dados da ANATEL, o Brasil terminou 2013 com mais de 271 milhões de linhas ativas na telefonia móvel. Neste mesmo ano, a venda de smartphones cresceu 122% e a detablets  subiu 142%. Estes números estimularam a criação de negócios especializados, sobretudo da prestação de serviços e oferta de produtos acessórios.

Na área de informática também não foi diferente. Nesse segmento, um dos destaques é a TOTVS, empresa nacional líder na comercialização de sistemas de gestão para as pequenas e médias empresas, que atua no sistema de franquias. As maiores desse segmento são TOTVS, Nexar, Casa do Notebook, Ligue Site e NetCallCenter. 

O segmento de Casa e Construção (**) cresceu 13,4%. Trata-se de um mercado promissor que acompanha de perto o movimento do mercado imobiliário, seja pela decoração, mobiliário e ambientação da casa nova ou mesmo uma reforma para tornar o lar mais aconchegante. Segundo o instituto Data Popular cerca de R$ 146 bilhões foram gastos em 2013 com reformas de imóveis e a tendência ainda é de alta. 

O desempenho deste segmento também foi alcançado pela atuação de empresas do ramo imobiliário e de prestação de serviços e tem atraído cada vez mais a indústria, a exemplo da Americanflex, que iniciou a abertura de lojas exclusivas sob o modelo de franquia. Entre os destaques deste segmento estão as redes Colchões Ortobom, Dicico, PortoBello Shop, Multicoisas e MMartan. 

O crescimento de 12,1% do segmento de Vestuário foi alavancado sobretudo pelo aumento de unidades e chegada de novas marcas. Entre elas, o destaque é para a malharia Malwee, que estreou duas marcas, a Malwee Um Abraço Brasileiro e a Malwee para brasileirinhos. A empresa também protagonizou um grande negócio no final do ano com a compra de parte da rede Puket, de moda íntima.

Ingressaram no mercado também a Le Coq Sportif e Academia Store. As maiores empresas do ranking são  Hering Store, MOfficer, Mercato, Colcci e Lilica & Tigor.

Já o segmento de Veículos registrou um bom desempenho, atingindo um crescimento de 11,5% em 2013. Apesar do comportamento da venda de automóveis não ter sido tão acentuado quanto nos anos anteriores, ainda assim o setor automobilístico traz consigo uma gama variada e consistente de venda de serviços e produtos ligados ao setor, como locação, limpeza automotiva, peças de reposição e inspeção veicular. 

O frota de automóveis do Brasil cresceu 85% nos últimos 10 anos, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Em 2013, mais de 43 mil carros foram licenciados, o que gera grande demanda para os serviços de manutenção e correlatos. Como exemplo de redes que aproveitaram esse bom momento do setor estão Localiza, Heliar, JetOil, Rede Brasil de Aluguel de Veículos e Multipark. 

O segmento de Limpeza e Conservação registrou um crescimento de 1,6% em 2013, depois de registrar mais de 44% em 2012. A carência por empregados domésticos, a PEC das Domésticas e o aumento do consumo de serviços ligados ao lar fizeram esse segmento explodir em 2012. Agora, o mercado encontra-se em fase de consolidação. As empresas que puxaram o crescimento foram 5àsec, JaniKing, Dryclean USA, Limpidus e JAN-PRO.
O setor de Negócios, Serviços e Outros Varejos(***) foi o que apresentou o menor desempenho, com uma retração da ordem de – 4,6%.

Este segmento apresenta marcas em pleno crescimento, porém o levantamento desse ano apurou que algumas empresas deixaram de atuar como franquia, o que gerou um número negativo. As empresas que mais se destacaram em 2013 foram DIA%, AMPM, Fitta Câmbio, BRMania e Federal Invest.

Microfranquias 
As microfranquias, redes de franquias que exigem investimento inicial de até R$ 80 mil e abrangem os diversos segmentos apresentados acima, registraram crescimento em número de unidades (29%) e em faturamento (31%) em 2013. 

São responsáveis por 5,11% (em 2012 era 4,4%) da receita total do setor de franchising e atingiu R$ 5,9 bilhões no ano passado. São 384 marcas em operação, o que representa um avanço de 4%. Já em número de unidades, o número alcançou 17.197 pontos de venda.

Projeções
Para 2014, a expectativa também é de crescimento acentuado. A entidade estima que o faturamento do setor cresça 10%, repetindo mais uma vez o crescimento de dois dígitos, muito acima da Economia nacional. A projeção está baseada em fatores como expectativa de crescimento da economia, nível de emprego e renda, aberturas de novos shoppings, entre outros.

O setor continuará criando grandes oportunidades de emprego. Com a expectativa de aumentar em 9% o número de unidades, as contratações aumentam na mesma proporção. O aumento de novas marcas foi estimado em 8%. 

Observações:
(*): A partir deste ano o segmento Informática e Eletrônicos passou a ser chamado de “Comunicação, Informática e Eletrônicos“    
(**): A partir deste ano o segmento Móveis, Decoração e Presentes passou a ser chamado de “Casa e Construção”.
(***): A partir deste ano o segmento Fotos, Gráficas e Sinalização foi incorporado ao segmento “Negócios, Serviços e Outros Varejos”.