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Mães empreendedoras revelam os desafios de conciliar negócios e filhos

O empreendedorismo e a maternidade possuem pontos em comum. Envolvem geração e crescimento. Exigem cuidados, em especial, nos primeiros anos, dedicação e investimento de tempo e de dinheiro. Mães empreendedoras vivem duas experiências simultaneamente, sendo um desafio e tanto, mas dois atributos maternos importantes também são mostrados nos negócios: a capacidade de cuidar e de se adaptar rapidamente a situações de crise.

De acordo com dados do Sebrae, 74% das empreendedoras brasileiras são mães e, segundo a Rede Mulher Empreendedora (RME), 68% começaram a empreender depois de ter filho. Muitas optaram por esse caminho como forma de ter mais tempo com a família.

Conheça as mães empreendedoras que possuem a marca da superação em suas trajetórias:

1 – Liana Segal, CEO da healthtech Espaço Médico Brasil 

CEO espaço médico brasil

Liana Segal inovou há mais de 20 anos ao criar o primeiro coworking dedicado exclusivamente aos profissionais da saúde, o Espaço Médico Brasil, no Rio de Janeiro. A pandemia veio, mas não assustou a empresária, que decidiu investir na ampliação do negócio por meio da tecnologia. Do coworking médico, tornou-se uma empresa de soluções tecnológicas na área da saúde, uma healthtech, disponibilizando franquia, telemedicina, sistema de marcações de consultas e call center. Em breve, lançará uma plataforma, nunca vista no mercado, que conecta médicos a consultórios ociosos com a pandemia para locação por período, reduzindo os custos do profissional com o espaço para atender seus pacientes em até 90%. “A rotina do médico é intensa, trabalham em vários hospitais e clínicas, subutilizando o consultório e mantendo o custo com aluguel e assistente altíssimo. Manter essa estrutura ficou inviável para os profissionais da área”. A empreendedora projeta que, até o fim de 2021, a plataforma impacte mais de 200 consultórios e 2 mil médicos, movimentando cerca de R$ 20 milhões anuais.  

“Com 61 anos, dois filhos e três netos”, como costuma dizer, ela atribui à experiência trazida pela maternidade ao longo do tempo, com tantas transformações, o fator fundamental para conseguir encarar desafios como o de 2020 de forma tão destemida. “Tive a primeira filha aos 24 anos e empreendi quase que simultaneamente ao nascimento do meu segundo filho, aos 26. Passado todo esse tempo, como mulher, mãe e avó, me vejo uma empreendedora mais amorosa nos negócios, com mais empatia, mas firme para atingir os objetivos”.

– Ser mãe e abraçar a carreira empreendedora com garra não é tarefa nada fácil, cansativa por muitas vezes, mas me fez e faz muito realizada e plena. O empreendedorismo demanda muita observação, conclusão e ação. Para empreender, temos que ter uma grande dose de ousadia, coragem e credibilidade em si, pois não é sempre que se acerta ao empreender. E, como mulher e mãe, temos que ter a medida do risco que podemos correr para não arriscarmos o bem-estar da família – revela.

2 – Izabelly Miranda, fundadora e diretora da rede Cuidare

fundadora e diretora técnica da cuidare

Após se formar em enfermagem, a potiguar Izabelly Miranda, de 31 anos, decidiu empreender criando com o marido, Etevaldo Miranda, a Cuidare em 2016, em Natal, projeto que começou ainda na faculdade a partir da carência percebida de serviços de cuidadores qualificados e de forma humanizada. A empresa cresceu rapidamente e, após dois anos liderando o mercado local, Izabelly decidiu formatar a franquia da marca e dar oportunidade para outras empreendedoras. Atualmente, as mulheres correspondem a 80% dos postos de liderança da rede. A marca se transformou numa das maiores redes de cuidadores do país, presente em 20 estados e no Distrito Federal, no Brasil, e em Lisboa, Portugal, com mais de 80 unidades, e operações em curso no Canadá e na Argentina. Atualmente, as mulheres correspondem a mais de 70% dos postos de liderança da rede, a maioria formada por mães. Com a pandemia do novo coronavírus e as regras de isolamento social, a procura pelos serviços da rede aumentou em 30%.

Mãe de uma menina de 5 anos e um menino de 2 anos, ela relata que conciliar a maternidade com o dia a dia do negócio exige muita dedicação e tempo, mas empreender possibilita um planejamento maior do seu tempo. “É um desafio, mas consigo me dedicar muito mais aos meus filhos, pois faço os meus horários e consigo flexibilizar muito mais. Não tenho dúvidas que trabalho muito mais, pois preciso dar conta de todas as demandas, porém consigo ser presente em todos os momentos da vida dos meus filhos e tenho certeza que isso é a maior satisfação do meu trabalho. Sou realizada profissionalmente e na maternidade”.

3 – Nadia Benitez, fundadora e CEO da rede Ginástica do Cérebro

CEO da rede ginástica do cérebro

A história de empreendedorismo da paranaense Nadia Benitez desafia todos os prognósticos, prova de que perseverança, estudo e uma boa dose de ousadia são ingredientes fundamentais para alcançar os objetivos. Natural de Foz do Iguaçu, no Paraná, ela desejava, desde muito cedo, abrir o seu próprio negócio, ainda que não tivesse qualquer histórico do tipo na família. Foi assim que, em 2011, tornou-se franqueada, em parceria com o marido, de uma marca do ramo da educação, a Tutores. A empreitada deslanchou, sendo premiada como uma das melhores unidades da rede em todo país.

Nadia então voltou para a sala de aula e começou a fazer uma especialização em neuropedagogia com o objetivo de se aprofundar no processo de aprendizado dos alunos. Foi aí que começou a desenvolver o projeto do curso de neuroaprendizagem “Ginástica do Cérebro”. Em pouco tempo, o negócio virou franquia, se desenvolveu como rede e se consolidou como referência em estimulação cognitiva. A rede conta atualmente com 20 unidades físicas em 10 estados. A expectativa da empresária é iniciar mais 20 operações nos novos formatos no ano, impactando em R$ 1 milhão no faturamento da marca, que fatura cerca de R$ 2 milhões anuais. Além da dedicação ao negócio, Nadia é palestrante e promove encontros para incentivar o empreendedorismo feminino.

Mãe de três de filhos, duas de 12 anos e um de um ano, ela conta que a maternidade agrega um “espírito de genitora” que acaba impactando em todas as suas demais atividades. “Nenhuma mulher continua a mesma com a maternidade. Acredito que temos uma sensibilidade maior para o cuidado, a preocupação com o bem-estar, com a vida. E o mundo empresarial, de forma geral, é muito ‘selvagem’. Penso que nós podemos humaniza-lo partindo da apreciação do ser humano que está em todas as relações de negócio, crescimento e mudança de mindset. E o empreendedorismo me revelou que podemos usar diversas estratégias para a gestão do lar, pois, em muitos momentos, o lar entra em crise. E a mulher só consegue sair do lar para trabalhar tranquila sabendo que há suporte para quem fica em casa”.

– Nós, mulheres modernas, devemos nos assumir como mulheres multiponteciais, não multitarefas. Estamos cada vez mais sendo sobrecarregadas de demandas. Contudo, devemos saber entender os limites do nosso corpo x cérebro x emoção. Somos muito versáteis, precisamos fazer essa “ginástica”, porque não tem outro jeito – ressalta.

4 – Sálua Bueno, CEO do Grupo Amelie

ceo do grupo amelie

Neta de imigrantes sírios, economista com mestrado na UFRJ e mãe de dois meninos, de 8 e 10 anos, Sálua Bueno deixou a carreira, inclusive um doutorado no exterior, quando a cozinha a chamou. Com espírito empreendedor incorrigível, atuou como COO da Blumar, maior empresa de turismo receptivo do Brasil, onde ganhou know-how para iniciar voos próprios. Em 2014, criou o Amelie Creperie et Bistrot, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, um restaurante pioneiro no Brasil na culinária da região da Bretanha, localizada no oeste da França, e na sua principal iguaria, a galette, crepe fino feito à base de trigo sarraceno, elemento tradicional da localidade.

Não demorou muito para inaugurar, em 2017, unidades no Barra Shopping e no Botafogo Praia Shopping. Em 2020, mesmo com a pandemia, a empreitada cresceu, se reinventou na quarentena com o delivery de alta gastronomia, deu os primeiros passos no mercado de franquia e se transformou numa rede com 3 lojas próprias e 3 franqueadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, uma delas a primeira Dark Kitchen. Em 2021, o Amelie Creperie et Bistrot deve chegar a 10 unidades. Outra novidade do grupo, que será lançada este ano, é o Juliette, restaurante que alia sabor, charme, clássico, modernidade e acolhimento numa “embalagem” diferenciada, a partir das vivências nas incursões da empreendedora mundo afora, para levar uma experiência gastronômica cosmopolita.

5 – Camila Jakubovic, criadora do canal “Planeta das Gêmeas”

criadora do planeta das gêmeas

No ar desde 2015, o canal do Youtube ‘Planeta das Gêmeas’ é um dos maiores fenômenos infanto-juvenis do país. Comandado pelas irmãs Melissa e Nicole, hoje com 13 anos, o canal tem mais de 14 milhões de inscritos e está para superar a marca de 4 bilhões de visualizações. E além do enorme talento das meninas, o sucesso do canal se deve também a todo o emprenho de Camila Jakubovic, mãe das gêmeas.

Toda produção, edição e elaboração do roteiro do “Planeta das Gêmeas” fica a cargo de Camila, que desde a estreia, já criou mais de 700 vídeos para a plataforma com os mais variados temas, abordando brincadeiras, webséries, vlogs e clipes musicais, priorizando a família e os bons exemplos, que são as principais marcas do canal das irmãs.

– As minhas filhas Melissa e Nicole assistiam a um programa chamado ICarly, em que duas meninas apresentavam um reality show. Elas adoravam e pediram para ter um programa igual. A forma de realizar o sonho delas foi criando um canal no Youtube. Tudo começou como uma brincadeira e acabou se tornando uma grande marca. Eu trabalho bastante, mas o lado bom é que meu trabalho permite que eu passe muito mais tempo ao lado dos meus filhos e isso é maravilhoso – enfatiza.

Publicitária e empresária, Camila se engajou de vez no empreendedorismo. Hoje em dia, produz, além do ‘Planeta das Gêmeas’, mais três canais: “Planeta das Gêmeas Games”, “Mila e Rô” e “Theo Comanda”. Além da criação dos vídeos, ela edita e administra todos os canais além das redes sociais. Os quatro canais juntos totalizam mais de 20 milhões de inscritos no Youtube e mais de 4,5 bilhões de visualizações.

– Estou sempre buscando novos projetos e investindo no crescimento dos canais e da marca. Acredito que em 2021 o resultado será ainda mais marcante com projetos inovadores. No final de 2020, colocamos no ar o site do Planeta das Gêmeas e, com isso, também uma parceria com o Instituto Ronald McDonald, que faz parte do sistema beneficente global Ronald McDonald House Charities (RMCH), presente em mais de 60 países. Com isso, parte do valor arrecadado com as vendas do site será doado para o instituto no intuito de ajudar na luta contra o câncer infanto-juvenil – explica.

O próximo lançamento da empreendedora, para o mês de maio, será o aplicativo Acromania, com viés educativo. Todos os detalhes serão conhecidos do grande público dentro do canal Planeta das Gêmeas.

6 – Monique Rodrigues, CEO da rede Clinicão 

CEO da Clinicão

Com 27 anos no mercado, a Clinicão é a primeira franqueadora de serviços veterinários do Brasil. Comandado pela carioca Monique Rodrigues, o processo de criação do negócio começou em 1987, quando ela foi aprovada no vestibular para veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em 1993, inaugurou a sua primeira clínica, em Guaratinguetá (SP), e inovou com procedimentos que se tornaram tendências no atendimento aos pets em sua primeira unidade, localizada no município de Guaratinguetá (SP).

Com o apoio do Sebrae e muito estudo, fez da clínica uma referência e ingressou no franchising com o propósito de desenvolver veterinários empreendedores. Isso porque um aspecto marcante no negócio é que, além do suporte padrão de uma franqueadora para a franqueada, Monique, que também tem MBA em Gestão Empresarial e Economia, dá todo o suporte para o franqueado ou a franqueada – em geral, profissional da área da saúde – na sua formação e preparação para administrar um negócio. “Sei das dificuldades por experiência própria.

Quando criei a clínica, foi bem complicado, pois, na faculdade de veterinária, não tive nenhum aprendizado na área de gestão. No mercado pet se verifica, infelizmente, um baixo grau de profissionalismo nas diferentes áreas. Graves problemas de gestão são comuns nos empreendimentos, fazendo com que bons técnicos não atinjam os resultados esperados ou não evoluam profissionalmente”. O sonho ganhou forma, nasceu e cresceu, transformando-se numa rede com unidades nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Em 2020, mesmo com a pandemia, a Clinicão cresceu 30%, faturou R$ 2,5 milhões e o plano de expansão é abrir mais 12 novas clínicas na região Sudeste até o fim do ano.

Esse desenvolvimento acompanhou um nascimento, o de Letícia Cesário, hoje com 22 anos. “A maternidade exige muito da mulher. Eu levava minha filha para o trabalho. Foi criada dentro da clínica”, conta Monique. Essa rotina acabou sendo decisiva para o futuro da filha, que segue os passos da mãe e hoje cursa medicina.  

 

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