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Franqueados que fazem a diferença

Franqueados contam como conseguiram fechar o caixa no azul, e compartilham boas práticas operacionais que podem ser disseminadas

A visão macro das franqueadoras e a gestão em rede foram algumas das ferramentas que fizeram o franchising superar a crise. Porém, tão importante quanto isso, é o trabalho executado pelo franqueado e a equipe. Os investimentos em soluções criativas ou no simples ‘’volta ao básico’’ cresceram, mostrando uma maior preocupação para controlar desperdícios de insumos e outros gastos que poderiam ser cortados, sem atingir o capital humano ou a qualidade do produto ou serviço prestado.

Um dos desafios ainda é o compartilhamento de informações. O que poderia aprimorar a gestão das unidades franqueadas. Quando a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é construída com porcentuais, o franqueador consegue comparar a média e os franqueados podem se autoquestionar  ‘O que eu tenho que fazer para atingir esse resultado?’ Vira um grande painel de controle, a partir do reflexo da rede.

Liderança

Ricardo Nascimento, franqueado com três lojas do Megamatte, no Rio de Janeiro, tinha como aliada em sua gestão, planilhas. A partir delas, Ricardo conseguia obter controle de tudo o que entrava e saia da loja. “Entendo que existem dois pilares: pessoas e controle de gastos. Para o primeiro, é preciso ter cuidado desde a contratação. O trabalho será todo executado por elas e precisam ter consciência de que quanto menos desperdício têm, mais lucro e maior é a possibilidade de aumento de ganhos para eles.

E este é um dos maiores desafios para o empreendedor: engajar os funcionários na causa da franquia. De acordo com o consultor, o período atual de recessão econômica diminui significativamente o turnover, que é um grande ofensor para o setor, mas carece de trazer as pessoas para o mesmo propósito.

Para isso, o franqueado precisa acreditar que cada pessoa dentro do seu negócio é capaz de trazer lucro. Nem todos têm essa visão. “Uma ferramenta que é básica de varejo: quando um líder chama a equipe e vê o raio-x do dia anterior. Isso promove uma gestão colaborativa”, afirma o especialista.

De olho nas planilhas

Se Nascimento precisar de qualquer informação relativa a uma de suas lojas nos cinco anos de atuação, consegue facilmente. “Com isso, sei se tenho os melhores colaboradores, e traço uma linha para que o CMV [Custo de Mercadoria Vendida] chegue a um patamar de excelência”, explica. Quando o índice passa dos 30% preestabelecidos, Nascimento liga um sinal de alerta. Se ficar até 34% em um mês, por exemplo, o próximo precisa compensar com 26% a 27%.

Se o trimestre não compensar, o franqueado solicita o gerente da loja e levanta o comportamento dos grandes grupos de venda, como os sanduíches. ‘’se não achar, observo como a área de venda está sendo conduzida. Deixamos velado dentro da loja, o gerente e eu transformamos isso em uma operação”, explica.

Para conseguir manter o orçamento no azul, Nascimento disse que é preciso prezar muito pela eficiência já na contratação da equipe. Se não houver um time dentro da empresa de pessoas engajadas, não consegue. Outro ponto crucial é a disciplina no controle, mas não pode ultrapassar 15 minutos do dia com a atividade. Precisa ser prático. “Todas as atitudes que eu tenho nunca me foram ensinadas, eu comecei a fazer”.

Onde cortar?

Custo de mercadoria vendida, de ocupação e com capital humano são as três principais fontes de despesas do franqueado. O segundo e o terceiro item apresentam poucas oportunidades de economia, exceto em períodos específicos, como renovação de contrato para custo de ocupação, por exemplo. Sendo assim, o foco deve ser o CMV. Existem coisas que são muito importantes e que nem sempre estão sob a gestão do empresário. O CMV tem que ser olhado com bastante cuidado, depende muito de gestão e do segmento.

Para começar a controlar os gastos, Cordeiro explica que o orçamento não pode ficar apenas na mão do gestor da unidade, a equipe precisa ser envolvida na prática. Estabelecer metas com ações que podem ser sugeridas pela própria equipe. É importante que isso seja claro e o time seja engajado no cumprimento, criando um sentimento de pertencimento. O franqueado pode começar com um checklist básico do que deve ser conferido no decorrer do dia.

Para chegar a um bom orçamento, é preciso que o franqueado tenha informações confiáveis em mãos. Cordeiro indica que o investimento em bons sistemas e plataformas de gestão, se ele não tiver habilidade com planilhas, é essencial para que se possa ter o retrato fiel da operação. É necessário registrar todos os processos da loja, acompanhando tudo que está sendo feito. Uma vez que se tem a informação confiável para saber tudo que foi consumido, com o registro adequado, aí começa a ter gestão de fato.