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Food Truck: parada obrigatória

Por Luiz Mello*

Desde 2012, com a criação de eventos gastronômicos na cidade de São Paulo, a comida de rua ganhou popularidade.

Por serem modelos dinâmicos, oferecerem um baixo (até médio) investimento, além de não possuir despesas de ocupação nem ponto comercial, o food truck tornou-se uma ótima opção para os investidores brasileiros, principalmente aqueles que tem alguma aptidão ou gosto por gastronomia.

Mas será que esse modelo é mesmo dinâmico? Conceitualmente, o food truck nasceu para ser dinâmico e não poderia ser diferente já que é uma “cozinha sobre rodas” pronta para percorrer diversas regiões. É desse jeito que esse modelo funciona nos Estados Unidos, país onde foi concebido. Porém, no Brasil a coisa é um pouco diferente.

Sancionado o decreto que regulamenta a comida de rua, a prefeitura então começou a organizar um negócio complexo pois, além de regulamentar a dinâmica de utilização da área pública, é necessário estabelecer fiscalização sanitária, assim como fiscalização sobre o veículo.

Aquele que decide seguir este caminho necessita ter seu “truck” de acordo com as normas estabelecidas pelo Denatran, ser supervisionado pela Anvisa, além de obter seu TPU (Termo de Permissão de Uso) que o credencia a trabalhar um dos mais de 700 pontos cadastrados pelas 32 subprefeituras de São Paulo.

Do total desses pontos credenciados pelas subprefeituras, muitos acabam sendo pouco interessantes, tanto aos olhos do empreendedor como aos olhos do consumidor por serem regiões periféricas e que muitas vezes não possuem sinalização – muitos veículos de passeio acabam estacionando no local por conta disso.

Já o principal problema é que o decreto não permite que os caminhões circulem livremente, tendo em vista que essa liberdade dificultaria muito a fiscalização de cada negócio truck – fator que priva o negócio da sua principal característica, ser dinâmico.

Por outro lado, temos também outra opção para os “truckeiros”: a participação em eventos e feiras gastronômicas, assim como estabelecer parcerias com lojas. Nas feiras e eventos, o truckeiro somente paga um valor para os organizadores que irá variar entre R$100 a R$800 (o dia), já nas parcerias com estabelecimentos comerciais, o truckeiro pode tanto negociar um valor ou estabelecer uma parceria, estimulando a venda local.

Além da segurança e da atratividade, os espaços de eventos possuem toda a infraestrutura necessária como banheiros, mesas, iluminação, etc – é o que acontece em locais como o Butantan Food Park. É interessante observar que, por mais benefícios que esses eventos tragam ao empreendedor, alguns acabam interferindo na essência do negócio – entendemos por comida de rua aquela que o consumidor come de pé, ao lado do truck – disponibilizar mesas por exemplo, acaba fugindo da proposta inicial da comida de rua – onde o consumidor come de pé, ao lado do truck.

Com essa realidade, é cada vez mais comum feiras e eventos gastronômicos surgirem pela cidade, juntando um número cada vez maior de trucks estacionados.

*Luiz Mello é consultor da área de Planejamento da Cherto Consultoria