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Como a Los Paleteros superou o modismo

Em seu auge, a empresa teve 102 franquias; no pior momento, 22; hoje, em recuperação, leva as paletas mexicanas para Israel

 

Os consumidores hoje em dia buscam inovação. Por isso, é comum ver muitos negócios que entram no mercado com muita força, morrerem rápido, caindo no fenômeno do modismo. Foi assim com as famosas paletas mexicanas a marca, apesar de causar muito barulho no mercado, não foi poupada e mesmo a Los Paleteros, empresa responsável por trazer o produto, caiu nesse fenômeno.

A franquia Los Paleteros viveu seu auge entre 2014 e 2015. Na época, eram mais de 2 milhões de paletar produzidas por mês, 102 franquias espalhadas pelo país e um faturamento que superava os R$ 6 milhões. Em 2017, menos de dois anos depois, diminuiu o número de unidades para 22 e boa parte da capacidade produtiva de sua fábrica parou.

Em entrevista para o site da PEGN Gean Chu, fundador da Los Paleteros, comentou sobre os últimos anos do negócio e revela o que necessariamente precisa ser feito no momento ruim enfrentado pela empresa.

De acordo com Chu, o movimento de cópio do conceito da marca foi o mais díficil. A empresa sofreu muito, no período 2015-2016 foram aberta mais de duas mil paleterias. Com isso, o conceito da marca começou a ser afetado, a ideia de uma paleta de qualidade, com frutas e ingredientes importados perdeu seu valor. Sobrou muitas empresas cobrando caro por um produto ruim e isso desastabilizou o mercado.

Não só a competitividade foi um desafio, esse momento da rede também se deparou com a crise e consequentemente o aumento do aluguel das lojas em shoppings, que estava incompatíveis com a realidade do faturamento desses negócios. Chu revela que tentou tudo em termos de gestão, investindo no controle de qualidade. Porém, percebeu que a mudança teria que ser no modelo de venda e não no produto.

“Com a crise econômica, o que aconteceu é que a paleta não deixou de ser desejada, ela só não valia mais a viagem até o shopping, o preço do estacionamento”, diz. Para isso, remodelaram o negócio.

A Los Paleteros deixou de investir na expansão pelo modelo de franquias e migrou para quiosques. E foi além: criou novos pontos de vendas, instalando freezers da empresa em comércios tradicionais, como mercados, restaurantes, padarias. Ao todo, são 26 unidades franqueadas e mais de mil pontos de vendas espalhados em todo o país.

A marca também modernizou suas fábricas, o que permitiu não alterar o preço das paletas. As reformas também permitiram que a rede utilizasse sua única fábrica, com potencial de produzir 4 milhões de paletas por mês.

 

Internacionalização

Com a economia se estabilizando, uma alternativa que o empreendedor encontrou foi estruturar um modelo de exportação. O mercado norte-americano e europeu exige certificações para produtos derivados do leite que o Brasil não tem, a empresa então encontrou em Israel uma boa alternativa.

A marca adaptou seus produtos para o gosto dos israelendos e vai operar no modelo de freezer em pontos de vendas. As vendas devem começar ainda no primeiro semestre e a expectativa é que ao menos 300 mil paletas sejam vendidas até o fim do ano.

Sobre o medo de acontecer em Israel o que aconteceu no Brasil, Chu diz que “depois de todo esse aperto sempre dá medo.” “Mas em Israel vemos uma cultura diferente, sem essa coisa de fazer uma cópia ruim, que prejudica todo o mercado.”

 

Fonte: PEGN