Quando alguém pergunta quais são os custos de uma franquia, quase sempre está olhando para dois números: taxa de franquia e investimento inicial. Isso é só a porta de entrada do problema.
Tese: o custo que quebra franqueado não é a entrada. É a soma dos custos recorrentes com falta de fôlego na maturação.
Quem calcula só o cheque inicial compra uma operação sem saber se a unidade se sustenta no mês a mês.
Erro comum do mercado: tratar custo como “quanto eu pago para abrir”.
Consequência de segunda ordem: o investidor entra com capital de giro curto, tenta “salvar margem” cortando no lugar errado, perde padrão, perde conversão e a franquia deixa de ser investimento para virar desgaste.
Para entender o sistema completo antes deste satélite, leia o pilar: Franquia vale a pena? O guia completo para decidir com critério e performance.
Neste artigo você vai ver:
- A estrutura real de custos de uma franquia
- Custo 1: entrada para colocar a unidade de pé
- Custo 2: custos mensais recorrentes
- Custo 3: custos ocultos que aparecem quando a operação começa
- Cenário prático: o que quebra franqueado no mês 3
- Os 3 números que você precisa ter antes de assinar
- Próximo passo lógico
A estrutura real de custos de uma franquia
O custo real de uma franquia tem três camadas. Se você ignora qualquer uma delas, você não está fazendo análise de investimento. Você está apostando.
Custo 1: entrada para colocar a unidade de pé
A entrada não é só a taxa. É tudo o que existe antes do primeiro caixa.
Taxa de franquia
Pagamento pelo direito de uso do sistema, marca e know how. É licença de operação, não “capital produtivo” dentro da unidade.
Implantação e treinamento inicial
Algumas redes cobram como item separado. Outras embutem. O importante é você mapear se isso sai do seu caixa agora ou aparece depois como surpresa.
Ponto comercial e adequação
Aqui mora a maior variação do orçamento. Inclui:
- 1. Luvas quando existem
- 2. Reforma, obra, projeto e adequação
- 3. Mobiliário, equipamentos, fachada e comunicação visual
Erro típico: tratar o “a partir de” como número final. Obra estoura orçamento, e orçamento estourado mata fôlego antes da unidade estabilizar.
Estoque inicial
Depende do modelo. Alimentação e varejo exigem estoque e giro desde o dia 1.
Sistemas e ferramentas
PDV, CRM, licenças, assinaturas e integrações podem entrar como custo inicial e continuar como custo mensal.
Capital de giro
O item mais negligenciado. Risco estratégico explícito: entrar com capital de giro mínimo para “sobrar mais para investir”. Isso cria um problema invisível: qualquer oscilação vira urgência, e urgência gera decisão ruim.
Custo 2: custos mensais recorrentes
Esse é o custo real da franquia. O que acontece todo mês.
Taxas da rede
Normalmente:
- 1. Royalties, percentual ou fixo
- 2. Fundo de marketing
- 3. Taxas de sistema, suporte ou tecnologia quando houver
Essas taxas não respeitam fase. A unidade pode estar aprendendo, mas a cobrança continua.
Ponto e estrutura fixa
Aluguel, condomínio, IPTU, água, energia, internet. Muitos modelos não morrem por falta de venda. Morrem porque o custo fixo exige um volume que o território não sustenta com consistência.
Equipe e encargos
Folha não é só salário. Inclui encargos, reposição, treinamento e a perda de produtividade em transições.
CMV e insumos
CMV, insumos, embalagens, logística e perdas. Se a operação é fraca, desperdício vira um imposto invisível que corrói margem.
Impostos e contabilidade
Imposto é previsível. O que pega é quando o regime e a estrutura de custo não conversam com a margem líquida real da operação.
Erro comum: focar em royalties e esquecer que folha, aluguel e CMV decidem o ponto de equilíbrio.
Custo 3: custos ocultos que aparecem quando a operação começa
Aqui mora o “custo que ninguém coloca no folder”, mas que aparece no seu caixa.
Rotatividade e treinamento recorrente
Toda troca de pessoa custa dinheiro, tempo e qualidade. E qualidade afeta conversão.
Perdas por operação fraca
Desperdício, retrabalho, cancelamento, estoque parado e compra errada. Nem sempre aparece como linha clara, mas aparece na sobra do mês.
Manutenção e reposição
Equipamentos quebram, peças somem, itens desgastam. No mês ruim, isso vira um impacto desproporcional.
Sazonalidade e semanas ruins
Seu caixa precisa sobreviver ao normal do varejo: semanas de fluxo menor sem virar crise.
Consequência de segunda ordem: quando você não precifica o custo oculto, você acha que “a franquia é ruim”, quando o problema real foi entrar sem fôlego e sem ritual de controle operacional.
Cenário prático: o que quebra franqueado no mês 3
A abertura costuma ter pico. Inauguração, curiosidade, esforço extra. Parece promissor. Depois a rotina normaliza:
- Folha estabiliza
- Aluguel vence
- Royalties caem
- Perdas aparecem
- Venda fica mais “real” e menos empolgação
Sem capital de giro e sem números claros, o franqueado tende a errar em sequência:
- Corta equipe e derruba padrão
- Entra em promoção para gerar caixa
- Perde margem e educa cliente em desconto
Isso destrói previsibilidade. E em franquia há pouco espaço para “reinventar”, porque contrato e padrão reduzem manobra.
Os 3 números que você precisa ter antes de assinar
Você não valida custo com tabela genérica. Você valida com três números do seu cenário.
1) Custo fixo total mensal
Tudo que você paga mesmo vendendo pouco. Se você não sabe isso, você não conhece o risco.
2) Margem operacional real
Quanto sobra depois de CMV e despesas variáveis no cenário conservador, não no cenário otimista.
3) Ponto de equilíbrio
Quanto precisa faturar para empatar e qual folga precisa para respirar.
Se esses três números não estiverem claros, você não está escolhendo franquia. Você está comprando narrativa.
Próximo passo lógico
Para conectar custo com decisão e performance:
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